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Mesada como ferramenta para educação financeira (Parte 1)
A Educação Financeira das crianças deve começar desde cedo. Assim, além da escola, os pais possuem um papel fundamental nesse processo. Mas, como os pais podem fazer isso? São várias as formas de isso ocorrer e todas dependerão da percepção dos pais. A primeira dúvida em relação a esse tema é a idade com que a criança deve iniciar o contato com o dinheiro. Isso dependerá de cada caso, entretanto, a partir dos dois anos, quando a criança começa a demonstrar desejos próprios, já é o momento analisar a melhor forma de inserir a educação financeira, mostrando o processo de troca do dinheiro por produtos. Um ponto muito importante é explicar para seu filho por meio de conversas, jogos e brincadeiras que nem tudo que ele quer ou assiste na TV é para ele comprar, estimule-o a refletir e pensar sobre como utilizar dinheiro e reserve as datas especiais (como o Natal, aniversário) para dar brinquedo à criança, isso evitará que ela queira tudo o tempo todo. Depois desses passos, quando os jovens já estiverem acostumados com o contato com o dinheiro, já é a hora de progredir na educação financeira dos filhos começando a dar as mesadas. Cuidados devem ser tomados para que esse artifício realmente atinja sua finalidade. O primeiro passo é definir qual a finalidade que a mesada terá, ou seja, qual o limite de dinheiro que essa criança irá administrar, e qual o prazo que receberá (geralmente, semanal ou mensal). Isso variará de acordo da finalidade do dinheiro em cada caso, desde para a compra de doces, revistas e figurinhas, ou até os jovens que já estão mais avançados na forma de cuidar das finanças e assim assumem pagamento da escola e cursos que realizam. Na próxima edição continuaremos a falar sobre o tema. Reinaldo Domingos – educador financeiro. Também é autor do livro “O Menino do Dinheiro” - (Editora Gente) (www.omeninododinheiro.com.br) Cartão de débito – cuidados também são necessários A utilização do cartão de débito está em alta no país. Segundo dados do Banco Central, entre 2003 e 2008, houve um crescimento de 217% no seu uso, isso representa um salto de 662 milhões de transações para 2.100 bilhões. Entretanto, ainda segundo o BC a utilização desse instrumento de pagamento tem muito ainda para crescer. O cartão de débito é utilizado para compras a vista, enquanto, cartão de crédito e cheques podem ser utilizados para parcelamentos, por isso muitos especialistas consideram essa uma boa notícia, pois, demonstra que as pessoas não estão mais entrando em dívidas. Contudo, essa não é a realidade, por mais que as pessoas paguem os produtos a vista, a falta de educação financeira faz com que elas entrem em outra armadilha, as linhas de créditos especiais oferecidas pelos bancos, que é o mesmo que chamamos por muito tempo de “limite especial do cheque”. Por mais que isso seja apresentado como uma vantagem, na verdade é um dos maiores riscos existente no mercado financeiro, pois, ao utilizarem isso, os consumidores ficam expostos a juros abusivos que podem comprometer suas finanças pessoais por um longo período. Nesse caso o parcelamento no cartão ou cheques pré-datados chegam a ser mais vantajosos. A compra de um produto a vista é melhor opção, com certeza, você obtêm maior desconto, elimina os boletos ou a necessidade de planilhas de acompanhamentos de quando os valores irão ser descontados das contas. Mas, para que não cause problemas, deve ser acompanhado de educação financeira e noções de consumo consciente. A educação financeira é importante para que a aquisição do produto ocorra apenas quando a pessoa tenha essa quantia para pagamento a vista e, mais importante, que o valor não vá faltar no fim do mês, ocasionando dívidas. As linhas de créditos, que a cada dia são mais comuns e simples de conseguir, devem ser evitadas a qualquer custo. Já o consumo consciente é fundamental para que as pessoas passem a adquirir apenas produtos que são realmente necessários. Muitas vezes por impulso as compras são feitas sem reflexão, não havendo real necessidade e impulsionado pela forte publicidade a qual os consumidores estão expostos todos os dias. Reinaldo Domingos - Educador e terapeuta financeiro. Também é autor do livro “Terapia Financeira -(Editora Gente) (www.terapiafinanceira.com.br), e presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira. |

